terça-feira, 25 de maio de 2010

Escalada e Santo Antônio

Eu e Bob na via "Era do Gelo".(foto: Victor Messias)

Às vezes, menor a chance de dar errado quanto menos planejamos. Neste espírito deixamos os detalhes de lado e só temos o puro desejo a nos guiar. E assim surgiu o fim de semana de escalada em Andradas, em um convite de última hora. Nem estava tão fácil para mim, eu tinha que trabalhar no sábado de manhã, mas nem por isso deixei de lado o desejo de escalar.
Subterfúgios a parte a viagem se deu. Me instalei na casa do meu amigo Ruberto Murteli(BOB). No sábado ficamos de boa curtindo a boa comida de Maria, a mãe de Bob, e a prosa de sua família em geral. A noite uma voltinha pela badalada praça da cidade com direito a uma cerveja extra para combinar com o frio.
Até aí tudo bem, mas para continuar a história tenho que ressaltar um assunto colocado pela Maria: a dificuldade extra em conseguir uma namorada sendo escalador. De fato, ao invés da balada do sábado fomos dormir cedo para a escalada do dia seguinte. E lá fui eu com dúvidas sobre minha sexualidade para a escalada... Será que eu gostava mais de montanha do que mulher? Será que para desgosto de minha família e meu estigma eu era um "montanasexual"?
Com essas reflexões fomos ao morro do elefante. O Bob contou uma lenda onde este morro tinha outro nome, algo sobre um diamante resgatado por ingleses em um tempo remoto. Mas não dá para escapar, o morro do elefante nasceu para ser chamado assim. Ele é um afloramento de rocha que tem o formato muito semelhante ao de um elefante, com o corpo ovalado, as orelhas arredondadas e é claro uma tromba. Ao invés de ficar aqui descrevendo dêem uma olhada na foto abaixo.

Era um elefante que virou pedra ou uma pedra que virou um elefante imóvel e atolado? (Foto: Francisco Gabas)

A trilha para se chegar até a base da rocha é dura por seu grande aclive. Passa-se por riachos e se sente muito medo dos bois que por ali se encontram. Teve um touro que se meteu a correr atrás da gente. Eu tendo a achar essas situações engraçadas, até mesmo no momento em que elas acontecem. Só sei que unimos os gritos(correndo) de "OOAAA,,,SAAAAI"....e o bicho desistiu de medo ou de perplexidade pelos gritos ridículos. Enfim de recuperadas de fôlego em recuperadas subimos até a base das vias.
Em torno do morro do elefante a cultura do Café.(Foto: Victor Messias)

O plano era o de subir o morro pela via Era do Gelo. A primeira enviada(trecho da via) foi feita pela via Vulcano, pois estávamos destituídos de equipamentos móveis e a primeira enfiada da Era do Gelo é toda utilizando esse tipo de equipamento. Deu para passar um certo veneno, principalmente no início da segunda enviada. Lance bem delicado e com risco de queda em um platô somado com o risco de queda em fator dois. Durante a via outros trechos venenosos pela alta exposição da via. Olhava pra baixo e pensava:" se eu cair tô f.....". A questão é que a via exige um pouco de equipamento móvel e por não tê-los a escalada acabou por ter esticões grandes.
Cume do morro do Elefante(Foto: Victor Messias)

Agora retomo o assunto suscitado pela mãe de Bob, talvez motivada pela pressão netinho, pois o morro do elefante estava cheia de flores laranjas, e resolvi dar corda a uma história. A flor em questão é a flor de santo antônio, o santo casamenteiro. Na era do gelo não tinha nenhuma flor, mas no cume tinha. Peguei uma para fazer a simpatia, pensando que a mandinga seria forte já que tive que escalar o morro para pegá-la. Não que eu acredite nessas coisas, mas a vida às vezes é tão sem sentido que não vi mal em dar algum sentido a uma coisa tão a primeira vista tola. A questão é que tem a simpatia de Santo Antônio para conseguir casar. Puts, eu estou bem de boa dessa, quero no máximo no máximo, uma namorada. Então fiquei sabendo de uma variação da simpatia que é a que se usa a flor para se ter dinheiro. Não pensei duas vezes e é essa que vou pesquisar agora na internet para fazer.
Mas vale também pedir pra Santo Antônio florir as montanhas com mulheres, afinal naquele dia a montanha estava só com flores de nome de homem mesmo.
Flor de Santo antônio