De posto para observação de tropas terrestres a observatório de galáxias distantes, das montanhas, lá de cima, de fato se observa melhor. Os montanhistas nesse sentido são privilegiados e qual deles nunca se pegou contemplando o incomparável "céu de montanha"? Palco de aventuras as montanhas também foram durante a história da ciência palco de descobertas astronômicas e astrofísicas, inclusive um brasileiro foi protagonista em uma dessas descobertas das alturas.
Nas montanhas existem fatores que contribuem para a qualidade das observações e o fator altitude sempre é levado em conta por astrônomos para a construção de novos observatórios. Foi assim na construção do Observatório do Pico dos Dias(1864m) de onde é possível ver a Pedra do Baú e também na construção dos observatórios do Complexo Alma no Chile(5060m) onde chega-se ao ponto de se necessitar de salas pressurizadas e oxigenadas para os técnicos e astrônomos acertarem a tabuada. Claro que a altitude não é o único critério para se escolher o local de observações, inclusive como podemos perceber no Complexo Alma a altitude pode ser um inconveniente.

Deserto e Montanha combinadas-Complexo Alma no Chile
Mas afinal, porque geralmente observamos um céu mais bonito em uma montanha?
O primeiro aspecto a ser dito é que geralmente regiões montanhosas são menos povoadas e por conseguinte estão menos sujeitas à ofuscação ou contaminação causada por fontes luminosas artificiais, principalmente as provindas de grandes cidades. O caso mais famoso de ofuscação que conhecemos, a do sol, explica o porque de não vermos as estrelas de dia. Como não podemos e não queremos apagar o sol existe a luta de organizações ligadas ao meio ambiente e à astronomia pela diminuição do que se chama poluição luminosa. Atualmente noventa e nove por cento dos europeus não conseguem observar a Via Láctea, incluindo os gregos que na antiguidade deram o nome à galáxia observando sua luminosidade.

Quantas estrelas você consegue contar em em uma metrópole?
Com o aumento da altitude aumenta-se a transparência do ar devido ao conhecido fato da rarefação do ar. Assim a luz proveniente de astros sofre menos com reflexões e desvios. Pelos mesmos motivos a umidade é algo indesejável. O ar umido é um meio mais denso e os fenômenos ópticos da reflexão e refração se dão com maior intensidade. O bom das montanhas é que geralmente em suas altitudes estamos acima das nuvens, assim os mares de nuvens que os montanhistas avistam nos cumes de montanhas além de belo é emblemático. As nuvens de umidade são mais pesadas e têm dificuldades em alcançar maiores altitudes, assim estas possuem grandes chances de ficarem abaixo dos observadores e acima dos mesmos, para contentamento de todos, somente um céu limpo. Nas ilhas Canárias temos excelentes observatórios que mesmo com a influência de ventos alísios (úmidos) tem um céu quase sempre limpo devido a altitude dos mesmos. Estando a uma grande altitude não é garantia que se tenha tempo limpo, o bom mesmo é que o local seja seco, por isso o deserto do Atacama tem recebido muitos empreendimentos do tipo.
Um fator menos evidente é que não adianta o tempo estar limpo e a atmosfera acima do local de observação ser muita turbulência. A turbulência gera mudança de densidade do ar cusando desvios aleatórios da luz. Um pouco desses desvios é facilmente corrigidos por métodos computacionais, porém esses efeitos são indesejados e levados em conta na qualificação do local de observação.
São vários os fatores que ajudam na qualidade da observação e as montanhas possuem vários desses fatores. E assim elas continuam tendo papel importante como laboratórios nas alturas revelando cada vez mais sobre astros, galáxias, buracos negros, sobre a existência de planetas extrasolares e sobre a energia e matéria escura. Enfim sobre os cosmos em geral sendo em si um universo de experiências para os montanhistas. Propiciando coisas que só ela pode oferecer.
Dica para o observador das alturas: Não é aconselhável que logo de início se faça observações astronômicas com um telescópio. O ideal mesmo é começar fazendo observações a olho nú. O que é uma boa para os montanhistas que não estão afim de levar um telescópio na mochila. Então a dica é fazer observações utilizando um planisfério que irá propiciar a identificação de constelações e de pegar as manhãs da orientação astronômica. Para fazer um planisfério acesse o site http://www.if.ufrgs.br/~fatima/planisferio/planisferio.html . Basta ter um impressora e um pouco de boa vontade para afzer o acabamento. Boas observações.
